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Parque Nacional da Arrábida 

através da sua arquitectura

 

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INTRODUÇÃO

Considerando apenas o património construído com valor cultural existente na área do PNA, com pequenas extensões pontuais às áreas rurais ou urbanas com que se relaciona directamente, podemos contabilizar, numa análise mais fria dos números: cerca de uma dezena de exemplares de arquitectura militar, nomeadamente castelos e fortalezas representativos de um período histórico entre a ocupação muçulmana e os finais do séc. XVII; cerca de duas dezenas de exemplares de arquitectura religiosa, nomeadamente igrejas, capelas e conventos representativos de um período histórico entre a Idade Média e o séc. XIX; cerca de três dezenas de exemplares de arquitectura civil, nomeadamente palácios, quintas e edifícios com valor patrimonial representativos de um período histórico entre a Idade Média e os princípios do séc. XX. A estes últimos há ainda a acrescentar outras tantas quintas que se estendem para fora da área do PNA, em torno de Azeitão e de Setúbal, bem como uma dezena de núcleos construídos tradicionais que constituem essencialmente os aglomerados de Azeitão. Cerca de quatro dezenas de moinhos de vento, inúmeras construções rurais e um conjunto significativo de cruzeiros, pelourinhos, fontes, chafarizes e outras obras de água, completam esse valioso referencial histórico e cultural da região da Arrábida.

Herança tão rica e, contudo, tão pesada. Rica, porque para além do seu inestimável valor histórico/cultural, ela contribui de uma forma decisiva para a identidade da região, conferindo-lhe características muito próprias que se traduzem em ambientes rurais e urbanos com um importante valor estético e patrimonial. Pesada, porque nos deixa a enorme responsabilidade de saber respeitar, proteger e valorizar esse legado patrimonial, enquanto suporte físico insubstituível da memória colectiva e da identidade da região, de modo a integrá-lo no quadro da vida social actual e a transmiti-lo às gerações futuras.

Esta realidade regional foi um dos factores levados em consideração na delimitação da área do Parque Natural da Arrábida, aquando da sua criação. Esta Área Protegida assumiu assim, não só a protecção ambiental dos valores naturais únicos da cordilheira da Arrábida que estiveram na base da sua criação, mas também, uma corresponsabilização na salvaguarda dos valores culturais próprios da área humanizada envolvente, ameaçada de descaracterização por factores diversos.

 

 

 

ARQUITECTURA MILITAR

Praças fortes muçulmanas e castelos medievais

Localizados na periferia Oriental e Ocidental do PNA, os castelos de Palmela e Sesimbra são as fortificações mais antigas da região da Arrábida. No mesmo local, existiram em tempos importantes praças fortes muçulmanas. Destruídas durante o conturbado período de avanços e recuos nas conquistas da instauração da nacionalidade, foram reconstruídas no séc. XIII e entregues à Ordem de Sant'Iago. Foram posteriormente sujeitas a diversas obras de restauro e ampliação tendo ficado bastante danificados com o terramoto de 1755. Já neste século, anos 30 a 40, foram parcialmente restaurados pelo estado, após o que caíram num período de relativo abandono, Apenas o castelo de Palmela foi de novo parcialmente recuperado nos anos sessenta, tendo sido aí instalada uma excelente pousada, no edifício do antigo convento.

Vestígios de uma outra fortificação medieval designada por castelo de Coina-a-Velha podem ser encontrados no sítio do Casal do Bispo, em Azeitão. Esta fortificação tinha uma importância estratégica, não só pela possibilidade de articulação em acções de defesa com os Castelos de Palmela e Sesimbra, mas também na defesa contra forças que através do Portinho da Arrábida quisessem penetrar na península de Setúbal, e ainda, na protecção aos habitantes da região de Azeitão.

Fortalezas Quinhentistas

Nos finais do séc. XIV foi construída a primeira cinta de muralhas de Setúbal, nessa altura uma vila de pescadores, para protecção da comunidade contra os ataques de piratas norte-africanos, da qual subsistem ainda alguns troços.

Data também desta época a construção da torre de vigilância do Outão e das primeiras estruturas fortificadas construídas naquele local. Esta fortaleza foi posteriormente restruturada e ampliada por volta de 1572, face às exigências das novas técnicas de guerra. No séc. XIX foi transformada em prisão, mais tarde em residência de férias do rei D. Carlos, e por último, no início deste século foi ali instalado um hospital ortopédico que se mantém até hoje.

No final do séc. XVI, durante a ocupação Espanhola, Filipe II mandou construir a fortaleza de S. Filipe, em Setúbal, com o objectivo de defender a vila e o seu porto e manter uma guarnição que assegurasse o controle sobre aquela localidade, hostil ao domínio castelhano.

A fortaleza foi projectada por um engenheiro militar Italiano, Filipe Terzi, de acordo com os modelos mais avançados da época. A sua estrutura abaluartada, com planta em estrela irregular de seis pontas e muralha inclinada, permitia uma grande diversidade de direcções de tiro, maior eficácia na defesa e maior resistência contra ataques da artilharia pirobalística. No seu interior existe um conjunto de edifícios onde se integra uma igreja revestida interiormente com magníficos azulejos do séc. XVIII, e a antiga residência do governador, onde está hoje instalada a pousada de S. Filipe.

Fortalezas Seiscentistas

Na Segunda metade do séc. XVII, após a restauração da nacionalidade, é construída uma nova muralha em torno da vila de Setúbal, e também, uma série de pequenos fortes ao longo da costa da Arrábida, integrados numa nova estratégia de construção de linhas de defesa nas barras do Tejo e do Sado. Datam deste período o forte de Albarquel em Setúbal, os fortes de Sant'Iago e da Ponta de Cavalo em Sesimbra, o forte do Cozinhador no Risco e a fortaleza de Stª Maria da Arrábida no Portinho.

Exceptuando o forte do Cozinhador, os restantes foram alvo de diversos restauros que lhes permitiram chegar aos nossos dias em condições razoáveis. A fortaleza de St.ª Maria da Arrábida foi, nos finais da década de 80 entregue ao PNA, e alvo de um total restauro, encontrando-se aí instalado actualmente o Museu Oceanográfico.

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ARQUITECTURA RELIGIOSA

Época Medieval

É num ambiente puramente rural que encontramos os exemplos mais arcaicos de templos cristãos existentes na região, nomeadamente as duas ermidas devotadas a S. Pedro, existentes nos locais de Alcube e Coina-a-Velha. As colunas toscanas e as influências românicas atestam a origem medieval destas ermidas.

Outras ermidas, como a de N.ª Sr.ª d'El Carmen na Serra da Arrábida, a de S. Gonçalo em Cabanas, a de S. Luís na serra com o mesmo nome, a da N.ª Sr.ª da Escudeira em Barris - Palmela, foram proliferando ao longo dos séculos na região da Arrábida, mantendo viva até aos nossos dias, a tradição das seculares devoções populares em torno dos santos padroeiros, expressa fundamentalmente nas festas e romarias que se efectuam ainda na actualidade.

Em meados do séc. XIV foi edificada em Vila Nogueira de Azeitão uma igreja, correspondente à actual igreja de S. Lourenço, com o objectivo de corresponder aos anseios de uma população cada vez mais significativa e que reclamava a construção de um templo onde se ministrassem os sacramentos e a fé cristã. O edifício original, estilo gótico, com um alpendre como acontece com outras capelas da região, foi posteriormente reconstruído e alterado ao longo dos séculos. No seu interior, de nave única com abobada abatida, realça-se a capela-mor com talhas e pintura do séc. XVII e os painéis de azulejos do séc. XVIII.

No séc. XV surge outra obra de carácter religioso nesta localidade, o Convento de N.ª Sr.ª da Piedade, destinado à Ordem de S. Domingos. O importante conjunto localizava-se no topo sul do Rossio da Vila Nogueira, tendo sido progressivamente destruído após a extinção do convento em 1833. No início deste século o edifício do velho convento serviu como hotel e estação de diligências, tendo sido mais tarde parcialmente reedificado e posteriormente adaptado a residência particular.

Para além do Convento da Arrábida, que será tratado individualmente, outros conventos surgiram na região da Arrábida, nomeadamente junto à cidade de Setúbal, como o convento de S. Paulo, localizado a noroeste da cidade, na Serra dos Gaiteiros, cuja a construção é atribuída aos séculos XIV/XV, e próximo deste, o Convento dos Capuchos, fundado já em época posterior, no séc. XVI. Estes dois conventos encontram-se em avançado estado de ruína e estão desde meados da década de 80 na posse da Associação de Municípios do Distrito de Setúbal que, apesar de alguns esforços nesse sentido, não conseguiu ainda dar corpo à ideia de se vir a recuperar e revitalizar toda a propriedade.

Relacionado com a história destes dois conventos está também o edifício da Quinta da Boavista, onde actualmente se encontra instalada a sede da Província Portuguesa da Congregação da Apresentação de Maria. O edifício, que até à actualidade sofreu diversas obras de ampliação, já pouco ou nada terá a ver com o edifício que ali existiu nos finais da Idade Média e que pertenceu à família de Vasco da Gama. No entanto, próximo deste, existe a antiga Capela de St.º António, que apresenta vestígios da sua origem medieval.

Arquitectura

O CONVENTO DA ARRÁBIDA

Talvez o mais significativo de todos os conjuntos religiosos da região da Arrábida, pela sua exemplar integração na meia encosta sul da serra sobre a zona de Alportuche, é o Convento da Arrábida. Este conjunto divide-se em duas partes: o Convento Velho e o Convento Novo.

O Convento Velho foi fundado nas primeiras décadas do séc. XVI por frades Franciscanos, a partir de uma antiga ermida existente no local desde o séc. XIII, a Ermida da Memória, construída por Hildebrando na sequência do milagre narrado na lenda de Santa Maria da Arrábida. Para além desta ermida, o Convento Velho incluía um conjunto de seis celas e um refeitório, estruturas bastante precárias e semi-naturais onde se abrigavam estes primeiros frades franciscanos. Este conjunto praticamente desapareceu nas últimas décadas, tendo sido roubados os azulejos do séc. XVII que forravam o interior da ermida.

O Convento Novo começou a ser construído em meados do séc. XVI e incluía inicialmente uma igreja e o mosteiro, com parte de cozinha e oficinas. A magnífica integração deste conjunto é dada por uma articulação dos volumes escalonados entre si e dispostos de uma forma natural na encosta, fazendo uso da pequena escala, dos desníveis, dos pátios e dos volumes desencontrados.

O conjunto foi sendo ampliado nos séculos seguintes, salientando-se a construção das seis capelas imperfeitas em meados do séc. XVII, projectadas para estação dos passos de Jesus e abrigo dos frades, assim designadas por nunca terem sido concluídas, excepto uma. As seis guaridas têm desenho arquitectónico estudado, com volumes de base circular, octogonal e quadrada, sendo encimadas por cúpulas, todas semelhantes mas todas diferentes, transmitindo uma singularidade notável a este conjunto.

Salienta-se ainda uma outra ermida, a do Bom Jesus, ricamente ornamentada com azulejaria e figuras de pedra, envolvida por um magnífico jardim, contrastando com a simplicidade e austeridade do restante conjunto.

Após a extinção das ordens religiosas em 1833 e mais tarde da Casa de Aveiro, os terrenos do convento entram na posse da Coroa, sendo vendidos em 1863 à Casa Palmela. Recuperado já neste século, na década de 40, voltou a sofrer uma progressiva degradação até que, no início dos anos 90 foi adquirido pela Fundação Oriente, com o objectivo de ali instalar um centro destinado a actividades essencialmente culturais. As obras de restauro e adaptação foram já efectuadas parcialmente no núcleo principal, podendo o local ser visitado pelo público em dias e horários condicionados.

Época Renascentista

A Igreja de S. Simão, em Vila Fresca de Azeitão, foi fundada no séc. XVI por Afonso de Albuquerque, também em local onde anteriormente teria existido uma ermida da mesma vocação. De traça renascentista, a igreja tem três naves, sendo a cobertura da nave central em madeira e a das laterais em abóbada de arestas. Diversas obras de restauro foram efectuadas até aos nossos dias, tendo entretanto desaparecido três das quatro torres originais na sequência do terramoto de 1755. No seu interior salienta-se o revestimento azulejar do séc. XVII.

De data incerta mas também atribuída ao séc. XVI, a capela de S. Sebastião, em Aldeia de Irmãos, é outro dos exemplos tradicionais de pequenas capelas com alpendrado fronteiro, construídas ou reedificadas pelos habitantes das aldeias. Outro exemplo é a ermida de S. Marcos em Oleiros, datada do séc. XVII.

A Igreja da Misericórdia em Vila Nogueira de Azeitão é construída no séc. XVII, após a fundação da Misericórdia de Azeitão e encontrava-se englobada num conjunto de edifícios pertencentes aquela instituição, os quais incluíam também a Casa da Igreja e o Hospital, estas demolidas no séc. XIX.

Época Barroca

Por último, na região de Azeitão, é de referir a Capela das Necessidades, construída no séc. XVIII por um habitante de Vendas, com o objectivo de resguardar o Cruzeiro de Vendas, que esteve durante anos ao ar livre. Apesar de albergar este cruzeiro, que se encontra classificado como monumento nacional, a capela está encerrada e necessita que sejam tomadas medidas urgentes quanto à sua conservação, uma vez que as suas paredes são alvo permanente de inscrições e colocação de cartazes.

Após o terramoto de 1755, grande parte das igrejas pré-existentes foram reconstruídas, denotando-se com frequência a sobreposição de elementos barrocos à simplicidade característica das capelas e igrejas da região.

Cruzeiros e Pelourinhos

O mais antigo cruzeiro de que se tem conhecimento na área do PNA é o cruzeiro medieval, de características góticas, que se encontra no interior da Capela das Necessidades, o qual, como atrás já foi mencionado, é Monumento Nacional.

A origem deste cruzeiro é desconhecida, sabendo-se apenas que se encontra naquele local desde 1474, conforme refere a inscrição existente na sua base.

Este cruzeiro encontra-se tradicionalmente ligado a uma lenda segundo a qual terá sido encontrado na

praia da Ajuda (Comenda), e aquando do seu transporte para Lisboa, ao chegar ao Alto das Necessidades, o carro onde seguia imobilizou-se e mesmo reforçando as juntas de bois, não foi possível movê-lo mais, acabando por se partir. Entendido o facto como sinal divino, a cruz foi ali colocada, e a coluna em que assenta foi crescendo, até que, devido ao enfraquecimento da fé, deixou de se elevar.

As três cruzes que existem no Monte de Abraão, na serra da Arrábida, são atribuídas ao séc. XVI e terão sido colocadas por S. Pedro de Alcantâra e seus companheiros, julgando-se que faziam parte de uma série que principiava em El Carmen e que permitia a quem vinha de Azeitão para a Arrábida, rezar a Via Sacra no caminho.

Junto à Lapa de St.ª Margarida encontra-se o Cruzeiro do Duque, que assinala o local onde durante os finais do séc. XVI e princípios do séc. XVII, D. Álvaro de Lencastre, Duque de Aveiro, costumava pescar aquando dos seus passeios à Arrábida, não permitindo que mais ninguém ali o fizesse. Entre outras obras importantes na região, D. Álvaro foi responsável pela execução de grande parte das obras do Convento Novo da Arrábida.

O cruzeiro existente no adro da Igreja de S. Lourenço está datado de 1726 e, segundo a tradição, foi ali colocado em substituição de um outro datado de 1344, quebrado por um "furacão de vento" que ocorreu em 1724.

Por último, é de assinalar o Pelourinho do Rossio de Vila Nogueira de Azeitão, datado de 1786, que se encontrava anteriormente em Vila Fresca e que assinala a passagem da sede do concelho daquela localidade para a Aldeia da Nogueira, que a partir daí passou a chamar-se Vila Nogueira.

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ARQUITECTURA CIVIL

Da Época Romana à Idade Média

Da época Romana até ao final da Idade Média, são praticamente inexistentes vestígios de construções de carácter civil, se bem que ao longo desses 1500 anos, a região da Arrábida tenha tido uma ocupação rural dispersa por quintas e casais agrícolas, surgindo pequenos aglomerados populacionais ao longo das principais vias de comunicação que ligavam Setúbal e Palmela a Sesimbra e Lisboa, e que estarão na origem da maioria das aldeias de Azeitão.

Fontes históricas escritas permitem localizar a pré-existência de quintas medievais nas quintas de Alcube, Camarate, Bacalhoa, Aldeia Rica, e ainda em Vila Nogueira de Azeitão. Nesta localidade, no local da Casa do Povo, existiu em meados do séc. XIV uma Quinta que pertenceu a D. Constança, 1.ª mulher de D. Pedro I, a qual teve uma grande influência no desenvolvimento da antiga Aldeia de Nogueira e levou a que esta região começasse a ser considerada como local de veraneio preferido pela nobreza do reino. Dessas construções apenas ficaram alguns elementos arquitectónicos que se mantiveram até à actualidade, como sejam alguns arcos ogivais existentes na Bacalhoa, as portas com arcos de volta perfeita, as pilastras e a varanda com colunas toscanas da Casa de Aldeia Rica, e ainda, a verga da porta e olho-de-boi Manuelista existentes na fachada da capela do edifício onde existiu o antigo solar real de D. Constança, em Vila Nogueira.

Época Renascentista.

É na sequência desta fase de desenvolvimento em que, paralelamente a algumas quintas fidalgas surgiram importantes construções de carácter religioso como a Igreja de S. Lourenço e o Convento de N.ª Sr.ª da Piedade em Vila Nogueira, que, na Segunda metade do séc. XV é construído o Palácio da Bacalhoa em Vila Fresca de Azeitão. Para além do seu valor arquitectónico, considerado como um dos primeiros exemplos de arquitectura Renascentista entre nós, o palácio possui também um valioso conjunto de painéis de azulejaria primitiva em Portugal. Ao longo dos séculos pertenceu a diversas famílias nobres, entre as quais a de Afonso Bráz de Albuquerque e foi Paço Real do Rei D. Carlos até que, após a implantação da República, teve vários proprietários que alienaram muito do valioso espólio da Quinta. Nos últimos 50 anos tem vindo a ser recuperado e conservado pelos actuais proprietários, encontrando-se actualmente classificado como Monumento Nacional. Braz de Albuquerque teve uma influência determinante nos jardins desta Quinta. Com influências nítidas do Renascimento Italiano, Braz de Albuquerque fez duas longas visitas à Itália, não deixa, no entanto de ser um jardim tradicionalmente português na sua orientação e estrutura. As influências Italianas traduzem-se mais ao nível decorativo do jardim, nomeadamente nos passeios, que eram decorados com lindíssimos azulejos, estatuetas e os famosíssimos medalhões de cerâmica de Della Robbia, vendidos no princípio do século e classificados em Itália como autênticos.

Outro edifício renascentista mas já do séc. XVI, é a Quinta das Torres. A sua arquitectura tomou como modelo os arquétipos do Renascimento Italiano e possui também um conjunto notável de painéis de azulejos. Actualmente a Quinta está aproveitada para fins turísticos funcionando como estalagem, restaurante e casa de chá, e encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público. Também de autoria de Braz de Albuquerque, os jardins desta Quinta eram manifestamente um exemplo do Renascimento Italiano, e muito embora tenham sofrido grandes alterações ao longo dos séculos, não sendo possível analisar o seu traçado com rigor, poder-se-à afirmar que o grande lago, com o seu clássico templete ao centro, justificaria a existência de jardins e pomares de beleza e monumentalidade idênticas ao próprio elemento gerador do espaço. Sendo o lago o elemento mais significante, esta Quinta torna-se, por este facto, um exemplo de tradição portuguesa.

Ainda do séc. XVI, é de referir a existência de outra quintas, nomeadamente a Quinta da Torre em Oleiros, que se encontra totalmente em ruínas e as quintas Velha e Nova, perto de Castanhos, das quais a primeira encontra-se abandonada e em avançado estado de degradação, e a segunda permanece habitada, encontrando-se aí instalada uma das mais antigas queijeiras de queijo de Azeitão.

Iniciado ainda no séc. XVI e concluído no início do séc. XVII, o Palácio dos Duques de Aveiro, em Vila Nogueira de Azeitão, veio culminar esta fase de eleição da região para instalação de quintas e solares, protagonizada essencialmente pela corte e pela nobreza do reino.

O edifício é de estilo Maneirista e constitui o primeiro exemplo de uma arquitectura civil monumentalista na região, sendo de salientar aqui, mais uma vez, um importante espólio de azulejaria.

Actualmente o palácio é propriedade particular, sendo mantido em uso residencial. Os seus interiores encontram-se em bom estado, ao passo que exteriormente o edifício necessita de obras de conservação.

Época Barroca.

Durante a ocupação Espanhola, a Casa de Aveiro e a maioria dos fidalgos que tinham propriedades em Azeitão, tomaram partido pelos Espanhóis. A restauração da independência provocou o abandono dos solares que então foram pilhados de grande parte do riquíssimo espólio que possuíam. Na sequência deste abandono, a região volta de novo, ainda no séc. XVII a ser procurada como local de veraneio por nobres ligados à nova ordem, e também, por uma burguesia florescente que passou a desempenhar cargos importantes no reino.

Assim, dos finais do séc. XVII até ao início do séc. XIX, a região de Azeitão encheu-se de novas quintas e palácios, continuando essa apetência natural das classes mais abastadas que, perto de Lisboa, aí encontraram um espaço privilegiado de lazer, pela amenidade do clima, a beleza das paisagens, a abundância de caça, construindo os seus palácios e casas senhoriais, rodeando-os de olivais, vinhas e pomares.

Em torno das aldeias de Azeitão poder-se-ão contar cerca de três dezenas de quintas que surgiram ou ressurgiram nessa época, localizando-se a maior parte delas fora do PNA. Também em redor de Setúbal se assiste ao aparecimento de muitas quintas, cerca de duas dezenas, em que apenas uma pequena parte se encontra na área do PNA.

O exemplo mais significativo desta época é o palácio da Quinta do Calhariz, propriedade dos Duques de Palmela. Primeiro pela escala do edifício em si, pois assume-se como um modelo erudito que ultrapassa a escala local, também pela sua arquitectura recheada de referências barrocas, e por fim, pelo tratamento paisagístico da envolvente do palácio, com jardins simétricos "à francesa, estatuetas e lagos, com a definição perspectica dos eixos de modulação de todo o conjunto e sua ligação à área rural envolvente e às próprias Serras da Arrábida e do Risco.

Acompanhando este novo fôlego de prosperidade do Séc.XVIII, as classes menos favorecidas de trabalhadores rurais e domésticos, artesãos e pequenos comerciantes, foram também construindo e melhorando as suas habitações, conferindo às aldeias de Azeitão o aspecto característico com que chegaram até hoje. Apesar de algumas intervenções menos cuidadas e da expansão urbana, que têm vindo a afectar estas povoações, os núcleos históricos têm sido preservados, havendo contudo algumas áreas que necessitam de recuperação.

Outro factor de desenvolvimento neste período foi a fundação da primeira fábrica de chitas em Portugal, a qual foi instalada no edifício da Casa de Aveiro, datando de finais do Séc. XVIII a construção de um edifício anexo destinado aos teares e que se encontra hoje transformado em adega da firma José Maria da Fonseca.

Período Neo-Clássico.

Durante o séc. XIX, a vitória do liberalismo trouxe de novo uma fase de abandono da maioria dos solares, cujos proprietários eram na sua maioria Miguelistas, voltando a repetir-se o desaparecimento de riquíssimos espólios, tal como sucedera após a Restauração.

O desenvolvimento dos transportes, nomeadamente do comboio, ajudou a uma certa marginalização desta região, voltando-se a apetência das classes ricas para Sintra e depois Cascais e Estoril.

Deste período Neo-Clássico e Romântico, são poucos os exemplos existentes do ponto de vista arquitectónico, havendo a salientar um pequeno belveder que existe nos jardins do Palácio do Calhariz, de estilo neo-clássico da ordem dórica, a Quinta das Baldrucas com a sua arquitectura romântica, com janelas e chaminés de influência inglesa, o seu pavilhão revivalista em que o neo-gótico se mistura com o neo-árabe, e o seu jardim decorado com estátuas e azulejos, tão ao gosto da época.

É ainda na primeira metade deste século, pela disponibilidade de algumas quintas vendidas apressadamente no decurso das lutas liberais, que são lançadas as bases da firma José Maria da Fonseca, responsável pelo grande desenvolvimento do cultivo da vinha na região e pela produção dos seus afamados vinhos. O edifício sede desta firma, em Vila Nogueira de Azeitão, foi construído inicialmente para habitação da família e é um exemplo de revivalismo da arquitectura do séc.XVIII, onde se destacam os telhados duplos com mansardas e os azulejos policromados da fachada.

Século XX.

A partir dos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, alguns solares voltam a ser reanimados por particulares pertencentes às camadas socioprofissionais mais prestigiadas, surgindo como exemplos da arquitectura do início do século, o edifício do casal do Bispo e a Casa da Fonte de Oleiros, e mais tarde, já no período do Estado Novo, a recuperação e ampliação do Palácio da Comenda, da autoria do arquitecto Raúl Lino, bem como o aparecimento de algumas "casas portuguesas" nos aglomerados de Azeitão.

Construções tradicionais.

A arquitectura de tipologia popular relaciona-se directamente com as áreas rurais, onde a principal actividade é a agro-pastorícia e onde as construções surgem disseminadas pela paisagem, geralmente nos cabeços onde a terra é menos produtiva e mais difícil de trabalhar.

Dentro deste regionalismo tradicional da construção podemos considerar várias sub-tipologias na área do PNA:

De desenho tipológico com cariz alentejano, quando a construção é mais encerrada, mais baixa, com menos vãos. Duas águas onde o forno e a chaminé são proeminentes, sendo geralmente isoladas com anexos ou alpendres justapostos e de pequena dimensão. Esta tipologia coincide maioritariamente com o concelho de Palmela, com maior incidência no Vale de Barris ou encosta Norte da Serra do Louro - Quinta do Anjo.

Outra tipologia surge nas zonas mais próximas de Setúbal, podendo considerar-se uma casa da Estremadura, de linhas simples, maiores vãos, telhados de duas águas, contrafortes, surgindo em parte da casa, geralmente no topo, um segundo piso encimado por um telhado de quatro águas. Estas casas surgem geralmente isoladas, com alpendres e são de maior dimensão que as atrás referidas.

Podendo considerar-se tipologicamente idênticas às casas da Estremadura, mas com diferenças locais na zona de Sesimbra, surgem casas de telhado de duas águas, forno proeminente, pequenos vãos, implantando-se geralmente em grupos de duas ou três construções, sendo uma para habitar, outra mais alta para animais e a outra ocasionalmente para apoio à actividade agrícola, formando pátios muitos característicos.

Moínhos de Vento.

Os moinhos de vento são elementos importantes do património construído tradicional que podemos encontrar com frequência nas paisagens humanizadas da região da Arrábida, localizados nos cumes das pequenas serras e montes, próximos dos principais aglomerados populacionais, nomeadamente Setúbal, Palmela, Azeitão e Sesimbra.

Segundo a tese desenvolvida no livro "Sistemas de Moagem", publicado pelo INIC, o moinho de tipo mediterrânico poderá ter resultado da adaptação dos moinhos horizontais de tradição Irano-Afegã, introduzidos na Península Ibérica no período da ocupação árabe ( séc. VIII/X ), que a partir do séc. XII adoptaram um novo engenho de velame vertical, então inventado no Norte da Europa, e a que posteriormente se ajustou o velame triangular latino da nossa tradição náutica.

Os moinhos de vento verticais foram pouco utilizados durante a Idade Média e a época renascentista (nesses tempos os moinhos de água e as atafonas eram os sistemas de moagem mais utilizados), assistindo-se no entanto à sua generalização a partir do séc. XVIII por toda a Europa.

Estes moinhos de vento de tipo mediterrânico caracterizam-se por uma sólida construção cilíndrica, ligeiramente cónica, com grossas paredes em pedra ou taipa, dois pisos baixos e cobertura cónica recolhida em relação ao perímetro exterior das paredes. A cobertura é móvel por forma a permitir orientar as velas em relação ao vento, sendo a sua estrutura em madeira munida de rodas que lhe permitem girar sobre a parte superior das paredes, accionado a partir do interior, por meio de um sarilho.

Grande parte destes moinhos funcionavam ainda no início deste século, até sucumbirem totalmente nos anos 60 face à eficácia das moagens industriais.

Actualmente, a maioria encontra-se abandonada ou em ruínas, exceptuando-se alguns casos em que têm sido adaptados para alojamentos particulares ou turísticos, ou ainda, para instalações de radiodifusão.

O PNA tem vindo a promover a revitalização dos moinhos de vento, tendo em vista a manutenção do seu valor patrimonial e cultural, tendo sido já restaurados dois moinhos na Serra do Louro, que se encontram operacionais, servindo de exemplo vivo de actividades tradicionais.

Fontes e Obras de água.

A região da Arrábida foi rica em obras de água compostas por extensas galerias, aquedutos e depósitos de grande capacidade, que se encontram actualmente em ruínas, mas que se podem ainda observar em diversas quintas, como a Quinta Nova, o Paço dos Duques de Aveiro, a Quinta das torres e a Quinta dos Arcos.

O mais significativo exemplo deste tipo de infraestruturas è o Aqueduto da Arca d'Água, cujas estruturas iniciais foram construídas no séc. XV e que fornecia água a Setúbal. O aqueduto é ainda hoje visível em quase toda a extensão, desde o sítio de Alferrara, na Quinta da Arca d'Água, terminando em Setúbal, no Campo dos Arcos, a partir de onde a água era conduzida por conduta subterrânea até chegar aos chafarizes da cidade.

Durante séculos as aldeias de Azeitão abasteceram-se em fontes, das quais a mais antiga que existe é a Fonte do Concelho, em Vila Nogueira de Azeitão, na Praça 5 de Outubro, datada de finais do séc. XVII. Nesta Vila há ainda a salientar a Fonte dos Pasmados, datada da segunda metade do séc. XVIII.

Da mesma época é também a Fonte da Aldeia Rica e, dos finais do mesmo século a Fonte de Oleiros.

Por último há ainda a destacar a Fonte da Samaritana no Convento Novo da Arrábida.

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